A evolução histórica da manutenção - parte II

A partir de meados dos anos de 1960, a difusão dos computadores, o crescimento da influência exercida pelas associações nacionais de manutenção e a sofisticação dos instrumentos de proteção, medição e controle, fizeram com que a atividade desenvolvesse critérios de previsão de falhas visando à otimização da atuação de suas equipes, no sentido da melhoria do desempenho operacional dos ativos físicos sob sua responsabilidade.

Tais critérios, que se consolidaram na chamada manutenção preditiva, foram associados a sistemas de planejamento e controle informatizados, reduzindo encargos burocráticos e acarretando o aparecimento, em sua essência, de duas grandes áreas formais: a de estudos de ocorrências crônicas e a de Planejamento e Controle de Manutenção (PCM).

No início dos anos 80, com o surgimento e rápida disseminação dos microcomputadores, os órgãos de manutenção passaram a desenvolver seus próprios programas de gerenciamento automatizado, eliminando os inconvenientes da dependência de disponibilidade do main frame corporativo para atendimento às suas necessidades de processamento de dados e informações. Em algumas empresas, esta atividade tornou-se tão importante que o PCM passou a se constituir num órgão de assessoramento à própria supervisão geral de produção.

Até a década de 80, a indústria visava basicamente o objetivo de obter máxima  rentabilidade em seus investimentos.  Mas com o crescente marketshare da  indústria oriental nos mercados ocidentais ao longo daqueles anos e da deflagração do processo de globalização os consumidores começaram a exigir mais qualidade em produtos e serviços adquiridos. Desta forma, as empresas passaram a considerar este fator absolutamente vital para manter sua competitividade, particularmente no mercado internacional.

Esta nova abordagem sistematizada fundamentou-se na visão de processo, definição de responsabilidades e aplicação de ferramentas e metodologias adequadas, surgindo daí o conceito de agregação de valor ao produto ou serviço.

Foi assim, dentro destes novos cenários e contextos, que a manutenção passou a ser reconhecida por sua contribuição estratégica para os negócios, através da redução do tempo de paralisação dos ativos, obtida pelos reparos ágeis das ocorrências com impacto sobre o potencial produtivo, e do cuidado com a precisão de suas intervenções, possibilitando que os produtos finais pudessem atender a critérios e padrões pré-estabelecidos (melhoria da confiabilidade).

Em última análise, os grandes desafios constantemente colocados para a sustentabilidade dos atuais segmentos produtivos da economia globalizada vêm obrigando a manutenção, e seus profissionais, a tomar atitudes proativas mais avançadas, perfeitamente alinhadas com as diretrizes corporativas.

 


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