Fundamentos da Manutenção Centrada em Confiabilidade (MCC)


A confiabilidade pode ser definida como o “nível de confiança de que um determinado equipamento ou sistema desempenhe a função básica para a qual foi projetado e instalado, durante um período de tempo pré-estabelecido e sob condições de operação padronizadas”, segundo Lafraia (2001).

Desta forma, a confiabilidade de um ativo depende quase que exclusivamente da qualidade do programa de manutenção, uma vez que a confiabilidade intrínseca, agregada a este ativo por seu fabricante só pode ser aumentada através de mais e melhores materiais e redimensionamentos de parâmetros, o que implica em maiores investimentos.

E foi a partir destes conceitos que surgiu a política de MCC (ou RCM - Reliability-

Centered Maintenance), desenvolvida nas décadas de 60, 70 e início de 80 pela indústria aeronáutica norte-americana, movida pela necessidade de re-exame das atividades de manutenção por causa das novas aeronaves, maiores, mais complexas e com sistemas mais sofisticados.

Sem perder de vista a preservação da segurança de vôo e a racionalização dos custos operacionais das empresas, as novas práticas de manutenção priorizavam o contexto operacional na definição do planejamento correspondente, proporcionando uma forma própria de avaliação, centrada na visão sistêmica e global de inserção dos ativos nos processos e meios de produção. A preservação das funções dos equipamentos passou a representar o foco principal e o paradigma central da análise de manutenção.

Sucesso no setor aeronáutico, esta filosofia passou a ser empregada, em meados dos 80, pelas forças armadas norte-americanas e de outros países, tendo, em seguida, se disseminado rapidamente pelos demais segmentos industriais.

Nas aplicações de MCC, são definidas as tarefas não só preventivas (sistemáticas e/ou por estado, estas últimas também chamadas de preditivas) e corretivas, mas também de detecção de falhas, bem como as periodicidades a elas inerentes e os recursos necessários à sua execução, através da realização de reuniões técnicas com a participação de representantes de todas as áreas envolvidas.

Assim, a estratégia de MCC tem como principal objetivo determinar os serviços de manutenção mais adequados à importância da função dos ativos físicos nos sistemas e processos produtivos, buscando maximizar disponibilidade e confiabilidade operacionais, dentro de uma política de custos competitivos.

A Manutenção Centrada na Confiabilidade procura responder a sete questões básicas: quais são as funções e os respectivos padrões de performance desejados para os ativos no atual contexto operacional; de que formas eles podem falhar e deixar de cumprir suas funções; quais são as causas e modos de cada falha funcional; o que acontece quando a falha ocorre; quais são os encargos financeiros derivados da ocorrência da falha; o que deve ser feito para prevenir ou bloquear a falhas pró-ativas recomendadas e suas periodicidades; o que deve ser feito se uma tarefa de bloqueio adequada não puder ser definida.

27/04/2009 – Conteúdo e Comunicação
Fonte de pesquisa: Ciclo de Palestras – Introdução à Manutenção Centrada em Confiabilidade (MCC)/SENAI-RJ/ artigo Rogério Acuri Filho

 

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